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A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), por meio de seu Departamento Científico de Endocrinologia, emitiu uma nota de alerta sobre o uso indiscriminado e sem orientação médica de medicamentos injetáveis para perda de peso entre crianças e adolescentes.
A entidade destaca que a automedicação ou o uso com foco puramente estético pode provocar complicações graves de saúde, como déficit no crescimento e desenvolvimento, perda de massa muscular, desidratação, distúrbios metabólicos, pancreatite aguda e problemas na vesícula biliar. O órgão também alerta que a pressão estética pode funcionar como gatilho para quadros de ansiedade, depressão e transtornos alimentares como anorexia e bulimia. A SBP contraindica expressamente fórmulas manipuladas, clandestinas ou importadas sem o registro sanitário da ANVISA.
A entidade orienta a substituição do termo popular “canetas emagrecedoras” por “medicamentos para o tratamento da obesidade”, ressaltando que a obesidade é uma doença crônica e que a indicação farmacológica deve visar à melhora da saúde global e qualidade de vida do paciente, e não a padrões estéticos de “corpo ideal” ou perda rápida de peso para festas e viagens.
No Brasil, a Anvisa autoriza o uso pediátrico específico de três fármacos:
Liraglutida: para diabetes tipo 2 a partir de 10 anos e obesidade a partir de 12 anos (acima de 60 kg);
Semaglutida: para obesidade a partir de 12 anos (acima de 60 kg);
Tirzepatida: para diabetes tipo 2 em pacientes a partir dos 10 anos de idade sob critérios específicos.
A entidade reforça que os medicamentos são seguros e eficazes quando prescritos dentro dos critérios médicos formais e acompanhados de mudanças no estilo de vida, devendo o profissional avaliar histórico, comorbidades e a saúde emocional antes de qualquer receituário.
Foto: arquivo Cultura FM
Redação Cultura FM | Julian Vilvert