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Morte do cão comunitário Orelha leva Polícia Civil a indiciar adultos por tentativa de interferir nas investigações

Caso de maus-tratos que comoveu Santa Catarina resultou em ampla apuração, análise de centenas de horas de imagens e novos indiciamentos

A Polícia Civil de Santa Catarina anunciou, nesta terça-feira (27), novos desdobramentos no caso do cão comunitário Orelha, que morreu após sofrer graves maus-tratos na Praia Brava, em Florianópolis, no início de janeiro. Três adultos — familiares de adolescentes investigados — foram indiciados pelo crime de coação no curso do processo, após tentativas de pressionar testemunhas durante as investigações. Entre os indiciados estão um advogado e dois empresários.

O caso gerou forte comoção social após a confirmação de que Orelha, conhecido e cuidado por moradores da região, não resistiu aos ferimentos mesmo após atendimento veterinário. Diante da suspeita de envolvimento de adolescentes, a Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei (DEACLE) instaurou procedimento específico para apurar o ato infracional. Paralelamente, a Delegacia de Proteção Animal (DPA) conduziu um inquérito para investigar as tentativas de intimidação de testemunhas, que agora foi concluído e encaminhado ao Judiciário.

Foto: Leo Munhoz / SECOM

Investigação minuciosa e centenas de horas analisadas

Segundo a Polícia Civil, o trabalho investigativo foi extenso e detalhado. Mais de 20 pessoas foram ouvidas e aproximadamente mil horas de imagens de câmeras públicas e privadas foram analisadas, somando mais de 72 horas de gravações diretamente relacionadas ao caso. Mandados de busca e apreensão também foram cumpridos em residências ligadas aos adolescentes e aos adultos investigados, com a apreensão de celulares e equipamentos eletrônicos que passarão por perícia.

A corporação reforçou que a divulgação de imagens ou identificação dos adolescentes é proibida por lei, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e que a responsabilização ocorrerá dentro do devido processo legal. O delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, destacou que o caso evidencia a prioridade dada à causa animal em Santa Catarina e o papel das delegacias especializadas na proteção dos direitos dos animais. As investigações seguem em andamento para o completo esclarecimento dos fatos e responsabilização dos envolvidos.

Redação | Veronica Moser Ewald

Foto: Reprodução




27/01/2026 – Cultura FM

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