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Na noite desta sexta-feira (20), o bairro Testo Alto, em Pomerode, foi cenário de uma ocorrência que reacendeu o debate sobre os limites da educação doméstica. Um homem de 44 anos foi preso em flagrante pela Polícia Militar após agredir o próprio filho, um menino de 12 anos, com golpes de cinta. De acordo com o relatório policial, o pai admitiu a agressão, justificando que o ato tinha a intenção de “disciplinar” a criança em razão de uma conduta errada. A mãe confirmou a ação aos agentes que atenderam o chamado por volta das 19h45.
A situação exigiu a intervenção do Conselho Tutelar, uma vez que o homem apresentou resistência inicial em permitir o acesso dos policiais ao garoto. Após a mediação, a guarnição constatou marcas e lesões na região das costas e cintura do menino, compatíveis com o uso da cinta. Diante das evidências físicas, o pai recebeu voz de prisão e foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil. A criança foi encaminhada ao Instituto Geral de Perícias (IGP) para a realização do exame de corpo de delito, que servirá como prova no inquérito policial
Fica a reflexão…
Este episódio em Pomerode é mais do que uma ocorrência policial. É um espelho do conflito geracional que vivemos. Um homem de 44 anos saiu de casa preso porque decidiu que o filho de 12 precisava de um corretivo. “Indisciplina”, alegou o pai. “Crime”, anotou o escrivão.
É preciso ser claro: ninguém em sã consciência é a favor da violência. O exagero, o descontrole e a crueldade devem, sim, ser punidos com o rigor necessário. Hoje, temos a clareza de que não é a cinta, nem o chinelo, que formam o caráter de um cidadão. Aprendemos, talvez a duras penas, que o medo não se confunde com o respeito; o medo paralisa, mas o respeito edifica.
No entanto, a reflexão que fica no ar é mais profunda e incômoda: o que está educando os nossos jovens hoje?
Hoje, o Estado entra na sala de estar e leva o pai algemado (ou quase isso). Enquanto isso, nas esquinas das grandes cidades, vemos o avesso dessa moeda: adolescentes sem freio, entregues ao vício, à desordem e, muitas vezes, ao crime. Os tempos modernos criaram uma geração protegida demais dentro de casa e vulnerável demais às tentações da rua. Onde falta o chinelo no quarto, sobra a droga na praça?
O caso de Pomerode abre essa ferida: estamos trocando o rigor da disciplina pela liberdade autodestrutiva? Se o castigo físico ficou para trás – e que bom que evoluímos nesse aspecto -, o que colocamos no lugar? A autoridade familiar faliu ou foi asfixiada pelas leis?
Redação Cultura FM | Julian Vilvert
Foto: arquivo Cultura FM