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Morte de ente querido interrompe peregrinação de timboense rumo à Aparecida

A caminhada era de fé, mas o destino, às vezes, exige uma parada no vale da saudade. No meio da manhã desta quinta-feira, o passo firme de Vilmar Melere precisou silenciar. A estrada da vida trouxe a notícia que ninguém deseja receber: o falecimento de sua cunhada, Ivanir Busarello Pivatto, em Jaraguá do Sul.

Após percorrer 340 quilômetros de suor e entrega, o “Projeto 62” encontrou um obstáculo que não se vence com o vigor das pernas, mas com o abraço da presença. Em um vídeo gravado à beira da estrada, com o semblante marcado pelo cansaço e agora pelo luto, Seu Vilmar compartilhou a dor com a mesma transparência com que compartilhou as vitórias: “Eu compartilhei muitas notícias boas… mas agora venho compartilhar uma notícia triste. Acontece. A vida, infelizmente…”.

Vilmar não hesitou. O homem que planejou cada metro dos 789 km até Aparecida entendeu que, naquele momento, o Santuário era o ombro da esposa. “Nesse momento difícil que a minha esposa passa, eu não posso deixar ela sozinha”, desabafou, pedindo desculpas aos seguidores por interromper a jornada. Não há o que desculpar; há apenas o que admirar. A maior devoção de um homem de fé é, antes de tudo, o amor aos seus.

“Eu vou voltar”

Vilmar sabia que esse momento poderia chegar. Antes de partir da Vila Germer, o coração já estava apertado por um ente querido que enfrentava a doença. Ele caminhava rezando por ela; agora, voltará para se despedir. A logística é complexa, o cansaço acumulado é grande, mas a prioridade é inegociável.

Mesmo abalado, ele foi categórico: “Eu vou voltar e vou continuar minha jornada. Os pedidos de vocês vão ser entregues todos”. Para ele, chegar com alguns dias de atraso não diminui o valor da gratidão, apenas a torna mais real, mais moldada pelas provações que a vida impõe.

Seu Vilmar interrompe o passo, mas não a missão. Ele volta para casa para honrar a história de um familiar e para ser o esteio de sua Isabel. A estrada ficará ali, esperando o retorno do homem que provou que sabe caminhar 800 km, mas que sabe, acima de tudo, a hora exata de parar para abraçar quem ama.

O Destino Pode Esperar, a Família Não

A decisão final, ele faz questão de dizer, será da esposa, Isabel. É o respeito de quem sabe que, se a jornada é de gratidão, a maior prova de amor é estar ao lado de quem se ama na hora da despedida.

Os 340 km vencidos até aqui não foram em vão. Eles provaram a coragem de um homem que enfrenta o sol e a chuva, mas que se curva diante da dor dos seus. Seu Vilmar interrompe o passo, mas não a missão. Ele volta para casa para honrar a história de um familiar e para ser o esteio de sua Isabel. A estrada ficará ali, esperando o retorno do homem que provou que sabe caminhar 800 km, mas que sabe, acima de tudo, a hora exata de parar para abraçar quem ama.

Redação Cultura FM | Julian Vilvert

Foto: redes sociais




26/03/2026 – Cultura FM

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