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Pesquisa da UFMG prepara testes em humanos de vacina contra crack e cocaína

Uma pesquisa inovadora liderada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) está preparando a documentação necessária para iniciar os testes em humanos de uma vacina contra o crack e a cocaína. Batizado de Calixcoca, o medicamento busca agora a autorização da Anvisa para abrir a fase 1 do seu estudo clínico, com previsão de que os primeiros testes em pessoas ocorram em até dois anos.

O projeto começou a ser desenhado em 2015, motivado pelo drama de grávidas dependentes químicas atendidas no ambulatório da universidade.

A vacina é não-proteica e utiliza como base a molécula V4N2, que estimula o sistema imunológico do paciente a produzir anticorpos específicos contra a droga diretamente na corrente sanguínea.

Ao se ligarem à cocaína, por exemplo, esses anticorpos criam uma estrutura molecular grande demais, impedindo que a substância atravesse a barreira hematoencefálica (que regula o transporte de substâncias para o sistema nervoso central). Sem chegar ao cérebro, a droga simplesmente não produz efeitos psicoativos.

Nos testes pré-clínicos com ratos, o imunizante tornou os efeitos da droga imperceptíveis. Além disso, a vacina reduziu o número de abortos espontâneos, gerando filhotes mais saudáveis e dotados de maior resistência à substância química.

O desenvolvimento da Calixcoca é fruto de um esforço multidisciplinar coordenado pelo professor Frederico Garcia, com o princípio ativo sintetizado pelo grupo do professor Ângelo de Fátima. O trabalho une especialistas das áreas de Medicina e Farmácia, além de pesquisadores vinculados ao Núcleo de Pesquisa em Vulnerabilidade e Saúde (NAVeS) e suporte operacional da Fundep.

Pelo impacto científico, o projeto venceu o Prêmio Euro Inovação na Saúde, recebendo 500 mil euros (cerca de R$ 2,6 milhões). As etapas iniciais contaram com recursos do CNPq e da Fapemig. Em 2023, a pesquisa ganhou forte aceleração financeira com o anúncio de um aporte de R$ 4 milhões da Prefeitura de São Paulo e o repasse de mais R$ 10 milhões do Governo do Estado de Minas Gerais para custear a continuidade dos estudos até a fase de testes clínicos.

Foto: arquivo Cultura FM 

Redação Cultura FM | Julian Vilvert




01/06/2026 – Cultura FM

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