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Ex-chefe da Receita Federal em Itajaí é alvo da PF por suspeita de favorecer empresários e movimentar esquema milionário

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (2) a Operação Benaia, que investiga um ex-chefe da Receita Federal em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, suspeito de facilitar processos alfandegários em benefício de empresários e operadores do comércio exterior. As investigações apontam prejuízos que podem ultrapassar R$ 10 milhões.

O principal alvo da operação é o auditor-fiscal Marcus Vinícius Nali Simioni, que comandou a Receita Federal em Itajaí entre 2022 e 2025. Segundo a Polícia Federal, ele teria utilizado o cargo para favorecer empresários em processos aduaneiros e, em troca, recebido vantagens financeiras indevidas.

Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em Santa Catarina e São Paulo, em endereços ligados ao investigado, familiares e empresas relacionadas ao comércio exterior. Também foi determinado o afastamento do servidor das funções públicas e o bloqueio de 65 contas bancárias.

De acordo com a investigação, o ex-chefe da Receita teria recebido pelo menos R$ 2 milhões para atuar em favor de empresários. Já a Receita Federal afirma que os valores suspeitos de vantagens recebidas, direta ou indiretamente, podem superar R$ 5 milhões.

As apurações começaram após a Corregedoria da Receita identificar incompatibilidade entre o patrimônio e o padrão de vida do servidor em comparação com sua remuneração oficial. Durante a investigação, também surgiram indícios de favorecimento a despachantes aduaneiros, consultorias, importadoras e operadores logísticos.

Segundo a Polícia Federal, os recursos teriam sido repassados por meio de depósitos bancários, pagamentos em dinheiro e quitação de despesas pessoais, como aluguéis, faturas de cartões de crédito e aquisição de bens. Os investigadores também identificaram uma conta bancária no exterior e contratos imobiliários não formalizados.

Ainda conforme a PF, empresas registradas em nome de familiares teriam sido utilizadas para ocultar e dar aparência de legalidade aos valores recebidos. Os crimes investigados incluem corrupção ativa e passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Em nota, a Receita Federal afirmou que atua permanentemente no combate a desvios de conduta e ressaltou que a participação de agentes do comércio exterior em esquemas ilícitos compromete a fiscalização aduaneira, prejudica a concorrência leal e fragiliza a segurança no controle de cargas.

As investigações seguem em andamento para identificar todos os envolvidos e dimensionar o prejuízo causado pelo suposto esquema.

Redação Cultura FM | Deive Leoni

Foto: Polícia Federal/Divulgação




03/06/2026 – Cultura FM

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