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Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, que foi presa na última terça-feira (2) no Norte do Estado por se passar por uma menina de 12 anos, acumula um histórico de golpes idênticos em pelo menos sete estados brasileiros. A investigação da Polícia Civil revelou que a mulher utilizava nomes falsos e simulava comportamentos infantis e condições clínicas para obter abrigo, comida e atenção de famílias e instituições de acolhimento.
A repercussão do caso trouxe à tona novos episódios da farsa em Santa Catarina. Em setembro de 2023, Amanda buscou atendimento de emergência no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, identificando-se como uma adolescente de 13 anos. Na ocasião, médicos acharam as queixas da mulher suspeitas e descobriram a presença de agulhas pelo seu corpo, levantando inicialmente a hipótese de maus-tratos. Após uma investigação interna que durou uma semana, a direção do hospital constatou que a paciente já havia aplicado o mesmo golpe em outras regiões, acionando imediatamente o Conselho Tutelar e a Polícia Militar.

Para sustentar o disfarce de criança nas cidades por onde passava, Amanda utilizava estratégias lúdicas e comportamentais. Ela costumava afinar a voz, utilizava objetos como mamadeiras e chupetas e afirmava ser autista. O delegado responsável pelo caso em Joinville confirmou que a criminosa é reincidente e já atuou em Florianópolis, Chapecó, Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Nova Iguaçu (RJ), além de municípios nos estados de Minas Gerais, Goiás e Ceará, sua terra natal.
Em Nova Iguaçu (RJ), uma voluntária de uma instituição social relatou que acolheu Amanda após a mulher alegar nas redes sociais que era menor de idade e que fugia de abusos familiares. Um exame de imagem realizado em um hospital revelou que Amanda possuía mais de 200 agulhas inseridas pelo corpo. O mesmo cenário foi registrado em 2024 no Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), em Goiânia, onde exames de raio-x confirmaram a idade real da suspeita e a presença dos objetos metálicos.
A Justiça do Estado de Goiás havia emitido um mandado de prisão contra ela por falsidade ideológica, mas o paradeiro da investigada era incerto até a sua captura em Joinville. Após representação do Ministério Público de Santa Catarina, a Justiça decretou a prisão preventiva da mulher, que foi encaminhada ao Presídio Feminino de Joinville.
A defesa da investigada solicitou a realização de um exame de sanidade mental, pedido que foi acatado pelo Poder Judiciário para avaliar a condição psíquica da ré no processo.
Fotos: redes sociais
Redação Cultura FM | Julian Vilvert