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Novas revelações do Ministério Público de Santa Catarina detalham como funcionava o cartel suspeito de movimentar R$ 53,9 milhões fraudando licitações de shows nacionais em prefeituras catarinenses. Conforme a investigação do GAECO, o grupo participou de 461 concorrências públicas e vencia mais de 73% delas através de um esquema combinado previamente com agentes públicos. O núcleo do esquema era composto pelos empresários José Clemir Spinelli (o “Peixinho”), apontado como líder e único com prisão preventiva decretada; Maria Clara Martins, responsável pelas movimentações financeiras; Carlos Eduardo Cunha (o “Dudu Cunha”), empresário e vereador em Indaial; além de Eder Coelho, Cleiciane Gomes e Valmir Alberto da Silva (o “Rey”). Eles controlavam de forma coordenada as empresas Spinelli Produções/B7 Eventos, MC Mercantil Comercial (CM7 Produções), Spinelli Produções e Eventos, CJR Produções, KS Produções, DCX Eventos e E3 Eventos, utilizando também “laranjas” e saques fracionados em dinheiro vivo.
A investigação aponta que o grupo negociava os artistas diretamente com os servidores antes da publicação dos editais, bloqueando as datas com as produtoras dos cantores para inviabilizar a concorrência. Depois, os municípios lançavam editais com exigências exclusivas e as empresas do próprio cartel simulavam disputar entre si. Diante disso, o Tribunal de Justiça (TJSC) determinou o bloqueio de R$ 9 milhões em bens e o afastamento cautelar do prefeito de Governador Celso Ramos, Marcos Henrique da Silva, além de buscas contra o vereador e ex-presidente da câmara de Governador Celso Ramos, Pedro Augusto da Cunha; contra o ex-prefeito de Mafra, Emerson Maas, e o ex-prefeito de Abdon Batista, Jadir Luiz de Souza. Na casa do prefeito de Porto Belo, Joel Lucinda, os agentes apreenderam R$ 58 mil em espécie. O prefeito afirmou que o dinheiro achado em sua casa está declarado no Imposto de Renda.
No Médio Vale, as buscas atingiram diretamente o empresário e vereador de Indaial, Carlos Eduardo Cunha (Dudu Cunha), que teve documentos e o telefone celular apreendidos. Em manifestação oficial, o vereador indaialense Dudu Cunha confirmou a apreensão de seus materiais, mas negou veementemente qualquer envolvimento com o cartel ou com irregularidades em licitações.
Ao todo, os mandados foram cumpridos em Porto Alegre (RS) e em órgãos públicos, empresas ou residências de 18 municípios catarinenses: Abdon Batista, Apiúna, Aurora, Bombinhas, Brusque, Canoinhas, Governador Celso Ramos, Indaial, Itaiópolis, Itapema, Laurentino, Mafra, Palhoça, Porto Belo, Pouso Redondo, Santa Terezinha, São Bento do Sul e Três Barras. Através de notas oficiais, as prefeituras de Itapema, Bombinhas, Mafra, Canoinhas, São Bento do Sul e Itaiópolis declararam estar colaborando integralmente com o GAECO
Foto: GAECO
Redação Cultura FM | Julian Vilvert