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O missionário norte-americano Dandre Jermaine Grayson, de 33 anos, foi preso preventivamente em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre (RS), após confessar ter espancado e matado o próprio filho, Oliver Golden Grayson, de apenas 3 anos. A criança morreu na noite da última quarta-feira (8). Em depoimento à Polícia Civil, o homem confessou que agrediu o menino com socos e bateu a cabeça da criança contra o chão simplesmente porque o filho acordou e não lhe deu “bom dia”.
Como o acusado vive no Brasil há nove anos e mudou-se para o Rio Grande do Sul há apenas seis meses, o Ministério Público gaúcho acionou a Interpol para descobrir se Grayson tem antecedentes criminais ou se já era investigado nos Estados Unidos antes de migrar. Antes de chegar ao território gaúcho, a família morou em São Paulo e em Santa Catarina. O Ministério Público suspeita que as mudanças frequentes de estado eram uma estratégia do casal para fugir da rede de proteção à infância e esconder o rastro de violência familiar. Por isso, prontuários de hospitais dessas regiões foram solicitados para checar se as crianças já tinham registros de atendimento por agressão.
A linha de investigação aponta que a crueldade pode ter sido ainda maior. Médicos que avaliaram o corpo de Oliver constataram que os ferimentos graves não foram causados apenas por socos e quedas, como o pai alegou. A forte suspeita é que o missionário tenha utilizado algum objeto contundente para golpear o menino. A Justiça já autorizou um mandado de busca e apreensão na residência da família para tentar localizar o instrumento do crime. Além da morte de Oliver, a polícia e o Ministério Público investigam se os outros três filhos mais velhos do casal também eram vítimas frequentes violência dentro de casa.
Dandre atuava em uma igreja na comunidade rural de Águas Claras, onde a família morava. Nas redes sociais o homem se identificava como “cantor cristão”. Vizinhos relataram que o americano defendia comportamentos incomuns, afirmando publicamente que o homem deveria exercer autoridade absoluta dentro de casa e que a esposa e os filhos deveriam ser submissos. Além do missionário, a mãe da criança também foi presa pela polícia. As investigações continuam.
Foto: reprodução redes sociais
Redação Cultura FM | Julian Vilvert