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Quem indicou? SC recebe R$ 11,7 milhões em emendas sem identificação dos deputados

Relatório mostra que recursos foram liberados por líderes partidários, mas sem revelar os verdadeiros autores das indicações.

Santa Catarina recebeu R$ 11,75 milhões em emendas parlamentares em 2025 sem que fossem identificados os deputados responsáveis pela destinação dos recursos. A informação faz parte de um relatório divulgado pela Transparência Brasil, que aponta que esse modelo movimentou cerca de R$ 1,3 bilhão em todo o país.

As chamadas emendas de liderança foram registradas em nome dos líderes partidários da Câmara dos Deputados, embora, na prática, tenham sido indicadas por outros parlamentares. O modelo dificulta a identificação dos verdadeiros autores das emendas e levanta questionamentos sobre a transparência na aplicação do dinheiro público.

União Brasil lidera repasses para SC

Em Santa Catarina, o União Brasil foi o partido que mais destinou recursos por esse mecanismo, com R$ 5 milhões. O deputado federal Fábio Schiochet (União-SC) confirmou que administrou os valores, mas não informou em quais projetos o dinheiro foi aplicado.

Na sequência aparece o Republicanos, com quase R$ 4 milhões. A assessoria do deputado Jorge Goetten (Republicanos-SC) informou que os recursos foram destinados a municípios, hospitais e entidades catarinenses, sem detalhar os beneficiários.

O Progressistas também direcionou R$ 2,75 milhões para Santa Catarina. Atualmente, porém, o partido não possui representantes catarinenses na Câmara, o que torna ainda mais difícil identificar quem foi o responsável pela indicação.

Transparência em debate

Desde dezembro de 2024, o Supremo Tribunal Federal (STF) determina que as emendas parlamentares tenham rastreabilidade completa, permitindo identificar desde o parlamentar autor até o destino final dos recursos.

No entanto, segundo a Transparência Brasil, as emendas de liderança continuam sem atender a esse requisito. A entidade recomenda que esse modelo seja extinto por reproduzir práticas semelhantes às do chamado orçamento secreto, comprometendo a fiscalização e a transparência dos gastos públicos.

Redação Cultura FM | Veronica Moser Ewald

Foto: Arquivo Cultura




14/07/2026 – Cultura FM

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